sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma praga que se alastra



Caros amigos visitantes desse blog.

Faltando quinze dias para o término deste ano e início de outro, o mundo se contagia com o espírito natalino e empolgação de que 2011 traga renovação, esperança.

As pessoas dizem que é tempo de comemorar, confraternizar, perdoar...

Eu digo que é tempo de sermos menos hipócritas e passarmos a fazer o ano todo o que só pregamos nessa época.

Não quero ser vista como pessimista, pragmática, mas espero que você, depois de ler o texto abaixo, pare alguns segundos para pensar e refletir sobre o nível devastador de nossas atitudes para os outros e para o mundo em que moramos e o qual não somos dignos.

Não me excluo da culpa que todos nós temos, mas garanto que a minha consciência do poder destrutivo que o ser humano tem é o primeiro passo para que eu mude.

E você? Vai acordar para a realidade que bate a sua porta ou pretende manter os olhos fechados a vida toda?

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Você sabe quem sou eu?
 Sou aquele que nasceu predestinado a cuidar de um planeta,

meu único lar, mas que o destrói cada vez mais
tomado pelo egoísmo e arrogância.

Sou aquele que discrimina outros seres pelas
escolhas que fazem ou por serem simplesmente quem são.

Sou aquele que matou milhões em câmaras de gás
e campos de concentração por me sentir superior a todas as raças.

Sou aquele que abusa de crianças indefesas para
saciar um desejo podre e asqueroso.

Sou aquele que dissemina a miséria e o desespero estampado nos olhos de uma mãe que tem em seus braços o filho perdido para a fome.

Sou aquele que agride e humilha
minha esposa, meus filhos, meus subordinados.

Sou aquele que trafica ilusões em uma tragada,
em uma carreira de pó, destruindo sonhos, vidas, famílias.

Sou aquele que seduziu duas jovens e
as decapitou em um momento de prazer insano.

Sou aquele que desvia a verba destinada a salvar vidas,
sem me importar que elas definhem em
intermináveis filas de hospitais lotados.

Sou aquele que convidou os amigos para se divertir
ateando fogo a um índio indefeso ou
a um mendigo esquecido pela sociedade.

Sou aquele que maltrata um animal na rua porque me julgo racional.
Mas quem é o animal, mesmo?

Sou aquele que dirige embriagado e
sem controle sobre minha vida acabei com tantas outras.

Sou aquele que deveria ser exemplo de boa conduta,
mas me comporto de forma vergonhosa.

Sou o ser dono desta lista interminável de atrocidades cometidas,
impossíveis de serem todas expostas aqui,
mas que estão registradas na história e
na memória de quem destruí.

Sou um ser imperfeito,
que surgiu por um deslize do seu criador.

Muito prazer, me chamam de ser humano,
mas na verdade sou uma praga que alastra
e destrói tudo que toca.

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Um comentário:

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Críticas são bem-vindas, mas educação e bom senso também.

Obrigada.