segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dia da Consciência Negra e outras histórias

Post um pouco atrasado, mas sempre válido. Até porque uma data especial como essa deveria comemorado todos os dias.


No último sábado estive em Salvador e o Pelourinho estava em festa! Aliás, quando é que ele não está?

Lugar de um um povo vibrante por natureza, que assumem sua cor e sua beleza, em cabelos trançados e fitas coloridas. Não foi à toa que o falecido Michael se encantou por esse lugar.

Dentre as belezas aqui exaltadas, não há como não destacar que o descaso por parte da administração municipal e a própria falta de consciência do povo soteropolitano vem trasformando Salvador em uma cidade feia, suja, um cartão postal negativo das belezas que o estado possui.



O Pelourinho é exemplo de um lugar de contradições. Na mesma rua onde turistas europeus circulam com suas peles semitransparentes e gastam em nossas terras os milhões que ganham por lá, meninos descalços pedem moedas, ambulantes vendem água para sustentar a família, artistas de rua tentam mostrar o que sabem fazer.



Almoçando em um pequeno restaurante na Praça da Sé, não conseguia deixar de fitar os olhos em uma família sentada na mesa ao lado. Um senhor negro, talvez tivesse seus 60 ou 65 anos e que lembrava muito os traços do meu falecido avô, conversava com duas moças, que pude perceber serem suas filhas. Logo depois chegou a esposa e mãe, uma senhora branca, dos cabelos claros e olhos talvez azuis. A mistura de raças deu origem a duas moças lindas, com traços delicados, cabelo afro assumido e cultuado.

(Estátua em homenagem a zumbi dos Palmares.)

Meu avô também era negro e se encantou pelo traços europeus da minha avó de cabelos dourados e olhos azuis.

E como é belo ser negro. O brasileiro que não percebe isso certamente esquece que ao menos uma gota do seu sangue é originado do povo africano que trabalhou arduamente para construir um país, e hoje é tão discriminado que precisa de um dia no calendário para dizer que orgulha-se da cor de sua pele.

Depois de uma sonora apresentação do Olodum e de pisar no mesmo lugar onde Michael pisou; depois de ver tanta gente diferente unidas por alguma essência antepassada; depois de ver o descaso que o centro histórico vem sofrendo a cada ano; depois desse conflito de admiração e revolta, me resta dizer que, não gosto de Salvador, de seu trânsito caótico, de suas favelas como cartão-postal, de seus constrastes e dissonâncias.




"Mas ainda não deixo de me encantar,
de contemplar,
de sentir que minhas raízes
também estão fincadas nesse chão.

Não há povo sem cultura.
Não há cultura sem origem.
Não há origem sem essência.
Minha essência é a mistura e a imensidão"

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