segunda-feira, 14 de março de 2011

Esperança vermelha

Em um abrigo em Iwaki, mulher olha para seu bebê, 
que nasceu em 2 de março. (AP/G1)


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O mundo assiste estarrecido a tragédia que se alastra sobre o Japão. Nós brasileiros estamos do outro lado do mundo, mas a mesma dor que se abate por um dos países mais ricos e desenvolvidos também chega às famílias brasileiras, sem notícias de seus parentes e amigos que estão no Japão.

Um país de contrastes, acostumado ao crescimento tecnológico assustador e, ao mesmo tempo, a enfrentar tragédias. Um país que vive consciente do risco eminente de ter suas terras varridas por terremotos, tsunamis, furacões, e agora, conservam o medo de um acidente nuclear de grandes proporções.

Como humana que sou, mas que muitas vezes me envergonho de ser, não consigo sentir-me indiferente a algo assim, ainda que eu não tenha amigos ou parentes vivendo tamanho horror.

São pessoas, homens, mulheres, crianças. São como animais indefesos diante da força descomunal da Natureza. Então paramos por um minuto e pensamos: nem toda tecnologia e treinamento empregados são páreos para enfrentar o imprevisível. Apenas em uma província, estima-se mais de 10 mil mortos em meio aos escombros, aos restos do que um dia foi habitado por pessoas e sonhos. E quantos mil ainda estão desaparecidos ou perdidos em lugares que o socorro ainda não pode chegar? É doloroso imaginar a quantidade de dígitos que esses números ainda irão alcançar.

Ouvi uma pessoa dizer que "o Brasil já tem suas próprias tragédias pra se preocupar e que o Japão, é um país rico, vai superar isso tudo."

"Isso tudo" são as vidas perdidas? “Isso tudo” são os incontáveis animais que nem tiveram a chance de saber do que mal que se aproximava? Estes não se recuperam. "Isso tudo" são os sonhos construídos durantes anos e que foram destruídos em segundos? Estes podem até ser reerguidos, mas de onde tirar força?

E qual o impacto devastador que tamanha tragédia pode causar na economia de um país? E para o resto do mundo? Como olhar indiferente para "isso tudo."

O que podemos fazer?

Para os que têm fé e ainda um resquício de compaixão pelo próximo, resta pedir a Deus para confortar e dar forças a todos. Pedir que a Natureza tenha clemência e seja mais branda.

Resta-nos desejar que esse país consiga se reerguer, que consiga desenvolver uma forma mais eficaz de enfrentar o caos eminente. Que consigam superar esta que é, segundo o primeiro-ministro Naoto Kan (e segundo o que nossos olhos testemunham), “a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.”

A todos nós, resta desejar que em meio a tanta tristeza um sentimento possa ser cultivado: a esperança.

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