terça-feira, 6 de março de 2012

A religião que eu não tenho




Quando eu estava no ventre da minha mãe, não sabia o que me esperava aqui fora. E quando saí me deparei com um mundo assustador. 

Quando nasci, eu não acreditava em nada, não sabia nada, apenas sabia que o cheiro da minha mãe era o melhor do mundo.

Foi minha mãe que segurou minhas mãos nos primeiros passos, e foi ela quem me ensinou a uni-las para orar ajoelhada à beira da cama. “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...” foi a primeira demonstração de fé que me mostraram.

Eu não sabia o que era Deus, até minha mãe dizer que o trovão era a voz dele dando uma bronca pelas nossas traquinagens infantis.

E foi assim, meio sem querer, que passei a acreditar. Sem saber o que era, de onde vinha ou porque deveria crer. E acho que fé é realmente isso, não precisa de motivos concretos, é simplesmente acreditar.

Madruguei para as missas de domingo até os 15 anos, mas fiz apenas um mês de catequese. De repente me vi em um lugar onde se pregava muito e se fazia pouco. Em um estalar de dedos, tudo que me ensinaram foi posto em xeque e eu passei a discordar daquilo que era “certo”. Me apontaram como desertora e então percebi que aquele não era mesmo meu lugar. 

Peguei minhas novas convicções, coloquei no bolso e me retirei. Decidi não ter religião estabelecida e adequada as exigências do meio em que vivo, decidi ter apenas Fé.

Depois disso, visitei outros lugares, tentei entender outras formas de manifestação da fé e em cada uma achei algo pra discordar. Do contra? É, pode até ser, mas não sinto falta de estar em nenhum dos lugares que visitei.

Nunca deixei de ter fé e respeito por Deus, da mesma forma que não sinto necessidade de frequentar algum lugar para exercer minha crença. Meus pensamentos e orações me bastam e eu não admito ser condenada por isso. A quem eu incomodo não indo? Serei menos amada ou merecedora do amor divino por isso?

Não acredito em céu, além daquele que me toma quando faço o bem, nem em inferno, além daquele que surge em consequência meus atos.

Obviamente, não vou expressar todos os meus pontos de vista em um texto, não quero nem preciso convencer ninguém a concordar comigo, afinal, são MINHAS convicções e, desde que não prejudiquem ninguém, eu tenho todo direito de tê-las e guardar somente para mim mesma.

Enfim, hoje em dia vejo a total falta de tolerância das pessoas em relação as crenças alheias e eu sinto isso na pele também. Não frequento nenhuma igreja, templo, salão ou terreiro, mas respeito quem vai, até porque, cada um tem o direito de crer no que quiser, é liberdade de cultos. Da mesma forma, admiro a crença de muitas culturas pelo mundo afora, pela beleza e significado que elas possuem.

Se alguém te ensina, você aprende e um dia, quem sabe, muda de ideia ou permanece no mesmo pensamento.

Todo mundo nasce ateu e a fé que se adquire ou não ao longo da vida independe da salvação que os outros pregam.

Um comentário:

  1. Eita garota visceral e não menos coerente em seus propósitos vernáculo/expurgadores. Você stronda !!Assino embaixo, sob os olhares do Vaticano, hehehe...

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