domingo, 14 de agosto de 2011

Verdade seja dita!



Outro dia um colega postou no Facebook a notícia de um grave acidente que ocorreu na cidade. Até aí, tudo bem, se não fosse o detalhe sórdido dado pelo mesmo colega. 

Peguei minha indignação ou língua maior que a boca (como queira chamar) e postei um comentário que criticava a posição do colega, dizendo que simplesmente não havia necessidade de ofertar o tal detalhe. 

Bom, não precisa dizer que o meu comentário rendeu pano pra manga, com gente me mandando até um “senta lá, Cláudia!”. Teve até uma senhorita dizendo que “a notícia era triste, mas precisava ser clara.” 

Hummm...beleza... O termo clareza inclui dizer que pedaços do corpo da acidentada estavam espalhados pela pista? Pow, dicionário Aurélio, tem que ver esse verbete aí...

Me recolhi a minha insignificância e me calei. Mas como já sabes, a língua é maior que a boca, não permitindo que eu reprimisse a ânsia de postar sobre o assunto. O ocorrido no Face só alimentou ainda mais a minha vontade.

Há tempos que venho observando a posição de profissionais (ou nem tão profissionais assim) da área de comunicação, principalmente nessa cidade. Pessoas que, assim como outros pseudo-jornalistas/publicitários/e afins, adotam uma postura de falsa imparcialidade diante de fatos políticos ou de um fajuto bom senso que só convence os tolos.

Há tempos também venho observando que um famoso site local oferece não só as notícias, como também, de brinde, presenteia o visitante com imagens exclusivas de corpos ou pedaços deles, depende da gravidade do fato. 

Não menos repugnante, outro dia estava eu em pleno almoço, quando fui surpreendida por uma reportagem da TV local que noticiou algo tão indigesto quanto a comida que eu degustava. A notícia era clara. Vários animais haviam morrido misteriosamente em um terreno baldio da cidade vizinha. Até aí, tudo bem. Mas me diga: porque cargas d’água (alguém usa isso) mostraram imagens de cachorros e urubus em estado decomposição no referido terreno? Azedou meu dia.

Gente! Se eu quiser ver corpos ou pedaços deles é só digitar no Google e milhares de sites com esse propósito aparecerão.

Tô tentando lembrar se havia uma matéria chamada “Sensacionalismo” na faculdade...Hum...acho que não..

Sem contar os outros profissionais que, curiosamente, apontam uns aos outros por baixo do pano, mas por cima da costura é todo mundo lindo, maravilhoso, best friend!

Quer saber, acho que nasci na categoria errada da natureza. Se eu nascesse uma formiguinha, trabalhadora e dedicada, já estaria de bom tamanho. Esse negócio de “ser humana” é difícil, viu? 

Pretensiosa? Não. Presunçosa? Também não. Ahh...metida a espertinha? Taí, nem metida, nem espertinha, mas hipócrita é algo que, ao contrário de muitos, faço questão de não ser.

Acho que o que falta aos muitos comunicólogos formados nessa cidade (e olhe que não são poucos) é tirar o diploma da gaveta dar uma boa olhada nele e tentar descobrir se realmente o merece. Se você aprendeu de verdade nas aulas de ética, filosofia, sociologia ou se trocou por alguns minutos namorando no jardim ou acessando o Orkut escondido na biblioteca.

Agradeço aos mestres que muito me ensinaram, não só os da sala de aula, mas os dos livros e os da vida. Como diria um deles: pare o mundo que eu quero descer!

Recolho-me novamente a minha insignificância, aguardando os unfollows no Twitter ou exclusão do Face por dizer coisas a que a maioria tenta esconder debaixo do tapete.

4 comentários:

  1. Parabéns, Júh!
    Se todos os profissionais de comunicação tivessem essa sua visão, estaríamos bem servidos.
    Aqui em Feira de Santana, tenho poucos colegas que me orgulham e muitos que me enojam. É isso!

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  2. tá...legal...
    Gostei do texto, gostei da crítica( bem pertinente, diga-se de passagem), mas notei um apelo dramático( quase sensacionalista). Se fosse a srta teria cuidado com as hiperboles. Escreve bem, não ofusque o brilho da seu talento com figuras de linguagem que não dizem nada e foçam um riso falso.

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  3. Obrigada pelos elogios e críticas. Todos são bem vindos, desde que respeitem esse espaço e a minha opinião.

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  4. Muito cabida a colocação do Professor Pascoale, o português agradece.
    Só um conselho para o Anônimo: - Quem fala demais, dá bom dia a cavalo.

    Juh, o texto está ótimo...você escreve muito bem e a crítica super pertinente.

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