segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A palavra é: solteirice!



De todas as coisas chatas que se pode ouvir de alguém,  uma com certeza é a mais irritante de todas. Você certamente já ouvia a clássica pergunta: já casou? E prontamente respondeu. Se sim ou se não, aí depende da pessoa em questão. Pra mim, a resposta é mais repetida que figurinha de algum de chiclete. Não, não casei. Nem tenho o noivo, nem a casa, nem planos de ter uma vidinha comum com marido, filhos, gato, cachorro e papagaio, esquentando minha barriga no fogão. Já tive, hoje não tenho mais. 

Esse tipo de sonho a gente cultiva quando acredita nas pessoas, ou melhor, quando acredita no caráter de pessoas do sexo oposto (ou do mesmo sexo, se for o seu caso).

Só sei que essa pergunta chata e cada mais repetitiva sempre parte de alguém. Porque é tão difícil pra alguém perguntar se você está profissionalmente realizada? Ou se já ganhou seu primeiro milhão? Ou se já plantou uma árvore e escreveu um livro? Não! A questão é quando você terá o filho, além do marido, claro.  Aliás, filho é uma coisa que eu nunca quis ter, nem nos meus mais remotos devaneios. Prefiro a casa cheia de gato, cachorro, e aí sim, o papagaio. 

Solidão é uma palavra que amedronta a maioria das pessoas e ela é temível mesmo. Voltar para o vazio de sua casa depois de um dia de trabalho, ou assistir aquele filme espetacular e não ter com quem comentar do seu lado. Ou ainda fazer o almoço do domingo e só pôr um prato na mesa. Aliás, o número “um” se transforma em seu fiel escudeiro. Uma escova de dentes, uma toalha de banho, mesa para um, por favor!

No começo é bem difícil, mas no final, pode ter certeza, é ainda mais. Sem marido, sem filhos, sem amigos, pois a maioria deles teve um destino diferente do seu. Acabar sozinho em algum canto, esperando a hora de partir e imaginando que ninguém sentirá sua falta. Enredo para um ótimo filme hollywoodiano. Acho que Meryl Streep ficaria excelente nesse papel...

Enfim, estar e ficar sozinha não são uma opção, é uma falta de opção. Inúmeras pessoas passam pela sua vida, fazem promessas, vestem máscaras, incorporam personagens com tamanha eficiência e você, por sabe se lá o quê, acredita nelas. Então, um belo dia, tudo cai por terra e a verdade se descortina bem diante dos seus olhos. A pergunta nesse momento é: porque eu? E a resposta não vem... Quando vem é do tipo “você não merece, mas acontece!”.

Pesquisam mostram que quem vive só tem mais problemas de saúde. Deviam pesquisa para entender como funciona a cabeça de pessoas medíocres, vis e perversas, que cruzam o caminho de outras simplesmente para fazê-las sofrer.  Se o sentimento não for bom e sincero, é melhor que nem seja nada. Como pessoas que aparentemente tem O relacionamento perfeito, se dissolvem da noite para o dia?  Entender que viver sozinho é ruim não precisa de pesquisa. Mas temos muitos motivos para acostumar-se com a solidão.

Já ouviu aquela do "antes só do que mal acompanhado?"

E talvez seja nesse ponto que esteja o principal problema. Viver sozinha é ruim. Fato. Mas o que torna alguém menos sadio e feliz não é isso. É quando você se acostuma em estar só e começa a deixar de querer estar acompanhado. Isso sim é um problema. Mas quem se importa? Aquela sua amiga está casada. Seu irmão foi morar bem longe e você não vai incomodar seus pais com seus dilemas e frescuras, vai?

Para fugir disso, tem gente que bebe, que fuma, que dorme, que se joga de uma ponte. Eu escrevo. 

Eu ainda não me acostumei com a solidão, mas falta pouco, muito pouco para que isso aconteça. Só queria que aqueles parentes que você quase nunca vê e afins parassem de fazer sempre a mesma pergunta idiota. 

Então, da próxima vez que encontrar aquela sua amiga, não pergunta se ela já casou. A chame pra sair e queira saber como foi o último capítulo da novela, ela com certeza sabe. 

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