domingo, 13 de março de 2016

Ilha de mim



I

Deitada sobre a areia morna
banhada por esse mar de azul intenso
meu olhar contempla o alto
invade-me uma dúvida inquietante.

Sois água revolta ou céu sereno?

Meu olhar contempla o alto
e a inquietação permanece.

II

Olho ao redor
e busco forças para erguer
o corpo
(a alma).

Convido-te a deitar-se comigo nesse tapete áspero
e espiar o seu reflexo em minha retina.

Vês? Vês como somos iguais?
Somos um nada, um instante, um sopro, 
uma variante sem valor.

III

Agora o céu ganhou cores de fim de tarde
e é finito o meu desejo de levantar
porém a inquietação já não é tão intensa
talvez eu tenha finalmente compreendido.

Que por mais que eu me deite ou me erga
estando só ou em companhia de mim mesma
há coisas que não mudam
outras são um fardo.

Algumas são abismo
de onde salto
Outras são altíssimo cumes
que eu escalo.

IV

De nada adiantam descrições
eu sou o que escrevo, o que penso
o que sinto, o que falo


Sou uma porção de mulher
cercada de sonhos por todos os lados.