domingo, 19 de julho de 2015

A mim, nada resta
















Ainda tento me libertar dessa mania
- estúpida
de mendigar as migalhas do
amor alheio que peço.

Por mais que se tente
sempre faço
- o inverso.

Rastejo
arrasto-me
imploro.

Cada minuto de riso
equivale a horas de
choro.

Eu tento
e falho.

Sem conseguir
tudo sofro.

E em mais derrotas
- caio

Preciso fugir de meus abismos
ou então
- morro.

Quanto pesa essa dor?


Despeço-me do vazio
para encher-me de palavras
que talvez me convençam
a acreditar num novo dia.

Eu, que por vezes,
sorria
hoje trago na garganta
um grito
emudecido pela dor 
dessa agonia.

E não se engane 
com meu canto
que disfarça
um riso fraco que ilude
os tolos.

Ainda trago sobre os ombros
um fardo
pelo qual eu choro
sem nenhum consolo.

No entanto, dizem
que a dieta salgada
amarga a vida.

Então escolho
não pesar mais nada
somente a fenda
da minha alma ferida.