segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Valor x Preço


Desde que me entendo por gente, desejei trabalhar na área de comunicação. Por imposição da vida, caminhei em direção à sedutora publicidade. Lá estudei, me dediquei e me formei Publicitária. Trabalhei no setor fervorosamente, sempre sufocada pela obrigação de ter ideias brilhantes, que convencessem as pessoas a desejar coisas que, nem sempre, elas precisavam ter. Aos poucos, meus pensamentos inquietos não aguentaram mais e me libertei das amarras que limitavam a criatividade ao mesmo tempo que me exigiam brilhantismo.
Assim, a mesma vida que me impôs o olhar insaciável da publicidade, me levou a fazer novas escolhas e, enfim, despertou um sonho adormecido em minha alma anestesiada pela ganância do mundo.
E foi assim que cheguei até aqui: aprendi a ser professora para gerar sustento e me dedicar ao trabalho voluntário pela causa animal. Hoje uso meu conhecimento com um objetivo diferente.
Não sou rica, não sou pobre. Tenho o suficiente para viver, mas ainda não o bastante para semear sonhos maiores. Um dia chegarei lá!
Você deve estar se perguntando: aonde esse texto está querendo chegar? Devo me vestir de bom moço e sair por aí abrindo mão dos confortos que o dinheiro oferece, para fazer benfeitorias sob aquele discurso de 'um mundo melhor'?
É uma escolha, muitos já fizeram-na.  Contudo, mundo perfeito não existe, nunca deixará de ser utopia. 
Me diga, será que aí, dentro do seu coração e não do seu bolso, ainda existe um sonho que você ainda não realizou e que não baseia-se somente nos números da sua conta bancária?
Dinheiro é bom? Claro que sim! 
Mas antes dele existir, o vazio que nos habita era preenchido com itens mais valiosos e que, muitas vezes, estavam ao alcance dos olhos, numa espiada do por do sol ou no abraço de um amigo.
Nos dias de hoje, o preço das coisas importa muito mais do que os valores que deveriam ser essenciais a formação de um indivíduo. 
Respeito, solidariedade e ética são itens que não se encontra na prateleira do supermercado, nem possíveis de comprar numa loja virtual.
O mundo é movido pela ideia de que o dinheiro e, somente ele, é o combustível para a felicidade. Porém, tem gente com muito menos do que você e que ainda se considera feliz.
No meio corporativo a premissa de 'cada um por si' e 'salve-se quem puder' se enraizou profundamente, a disputa por uma posição de destaque é mais importante do que o conhecimento que o indivíduo poderia adquirir exercendo uma função não tão gloriosa. E se todos fossem promovidos, quem moveria as engrenagens menores mas tão importantes quanto todas as peças da máquina?
Então, respondendo todas essas perguntas, digo-lhe caro leitor, uma lição clichê mas há tempos esquecida.
Só se vive uma vez e esta é de forma breve. Olhe para os lados de vez em quando ao invés de somente para dentro do seu ego faminto. Ouça mais, aprenda mais, sinta mais. Fale menos, reclame menos, não seja mesquinho com seus sentimentos. 
Trabalhe o suficiente e contente-se com o bastante. Mas nunca sinta-se saciado em ver o outro como alguém igual a você, no mesmo patamar de importância e paradoxal insignificância diante da imensidão do universo.
Faça sua passagem pela Terra ter valor e não preço. 

domingo, 19 de julho de 2015

A mim, nada resta
















Ainda tento me libertar dessa mania
- estúpida
de mendigar as migalhas do
amor alheio que peço.

Por mais que se tente
sempre faço
- o inverso.

Rastejo
arrasto-me
imploro.

Cada minuto de riso
equivale a horas de
choro.

Eu tento
e falho.

Sem conseguir
tudo sofro.

E em mais derrotas
- caio

Preciso fugir de meus abismos
ou então
- morro.

Quanto pesa essa dor?


Despeço-me do vazio
para encher-me de palavras
que talvez me convençam
a acreditar num novo dia.

Eu, que por vezes,
sorria
hoje trago na garganta
um grito
emudecido pela dor 
dessa agonia.

E não se engane 
com meu canto
que disfarça
um riso fraco que ilude
os tolos.

Ainda trago sobre os ombros
um fardo
pelo qual eu choro
sem nenhum consolo.

No entanto, dizem
que a dieta salgada
amarga a vida.

Então escolho
não pesar mais nada
somente a fenda
da minha alma ferida.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Embalo


Noite passada eu tive um sonho diferente. Sonhei que dançava. Mas não era uma dança qualquer, eu levitava. Movimentos suaves, que partiam de dentro até a ponta dos dedos, pés que mal tocavam o chão, rodopios em torno da minha própria alma.

Não me recordo se havia música tocando ou se o som que eu ouvia era apenas um coração pulsando. Talvez eu mesma estivesse murmurando uma canção inventada. Não sei, só sei que dançava.

E era uma cena tão leve, uma coisa tão mansa, como se as feras que em mim habitam estivessem temporariamente domadas. Me lembro bem. Nunca me senti tão preenchida como naquela dança.

E assim acordei do meu sono profundo, pois o cheiro de café já invadia toda a casa, apesar do sol tímido sob as nuvens de outono. Ainda sinto o movimento em minhas pernas, ainda sinto a leveza nos meus braços, e quando fecho os olhos consigo reviver aquele momento.

E se sonhar com algo assim significa alegria e satisfação como dizem, decepciono-me, pois longe disso eu me sinto. Mas enquanto existe o som dentro de mim, eu danço e vivo.

Passagem



O tempo se encarrega de curar feridas
e abrir outras ainda piores.

Os encontros que nos alegram
e as despedidas que nos despedaçam.

Os olhares que se cruzam,
as bocas que se encontram,
as mãos que se afastam.

Pois só o tempo carrega consigo
o dom de esquecer
as dores
a fagulha para reacender
antigos amores
e a arte de passar
por onde fores...


22/05/2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A escolha da semente




Algumas pessoas nascem. Outras apenas brotam. As que nascem são como flores que perfumam o ambiente quando chegam, as que brotam se assemelham à ervas-daninhas.

Aquelas que nascem possuem um propósito para tal, se encaixam perfeitamente na lacuna da vida de alguém, mostrando-lhe que independente da sua cor, raça, religião, posição social ou condição sexual, são pessoas especiais e merecem tudo de bom nessa vida. As que brotam apenas sugam, enfraquecem, destroem tudo que tocam, dando preferência a ambientes onde o mau caratismo predomine e a honestidade seja alvo de chacota, brotam para usar a fraqueza alheia como moeda de troca.

Pessoas que nascem tem uma missão, ainda que não descubram isso imediatamente, alguma levam uma vida inteira para descobrir e entender porque estão ali. E para nós, aqueles que apenas contemplam, é difícil entender quando elas partem, mais difícil ainda aceitar que cumpriram sua missão.

As que brotam são dispensáveis, desnecessárias, existem apenas por um deslize da criação. Não. As pessoas que brotam também possuem sua serventia. Existem para nos mostrar o quanto é importante existir pessoas que nascem, o quanto elas podem transformar o lugar onde germinam. Sem o mal que brota, nunca daríamos valor ao bem que nasce.

E quando pessoas que nascem simplesmente partem, a princípio a dor nos deixa surdos, cegos, burros, é mais fácil culpar um destino que não entendemos.

E depois que o latejar amansa, nos damos conta do quanto quem nasce foi importante. Para nos unir, para nos fazer celebrar, para nos fazer relembrar valores esquecidos, para nos mostrar o quanto lutar nas batalhas diárias é doloroso. Mas que lutar é preciso e possível. E principalmente, lutar para que no terrenos onde ervas-daninham se multiplicam incansavelmente, existam dias onde flores nasçam e perfumem as mãos de quem as dá e de quem as recebe.

Hoje uma flor foi embora, mas perfumou minhas mãos."

sábado, 14 de março de 2015

Professora, eu?


Uma verdade. Nunca quis ser professora.
Outra verdade. Descobri que sou, que sempre fui.



Transmitir conhecimento é um dom, uma vocação nata e impossível de extrair do ‘eu’.

Lembro-me que, ainda criança, brincava de escolinha com as bonecas sentadas na cadeira, olhando atentamente para a aula. Lembro-me também de ser a aluna nota 10 que minha mãe exigia que eu fosse. Ai de mim se isso não acontecesse. 

Lembro-me com carinho das colegas que eu tentava ajudar a vencer as dificuldades em sala de aula. 

Lembro-me de todas as minhas professoras: aquelas que se empenhavam em cumprir o papel de mestre e aquela que cumpriu o papel de megera nos primeiros anos da infância.

E foi lembrando disso que aos poucos fui descobrindo.

Graças às reviravoltas que a vida dá, acabei deixando a antiga profissão de lado para me dedicar ao ensino e, principalmente, ao aprendizado de uma nova.

Nessa recente (mas não breve) caminhada, passei e passo por dificuldades infindas, daquelas que nos fazem respirar fundo e perguntar a si mesmo: “Por que, meu Deus?” Talvez seja esse sentimento que habita os corações de tantos mestres. Então o próprio coração responde: “Porque sim!”

Porque ser mestre é uma condição divina, é ser combustível de sonhos, é ser multiplicador de ideias, é ser conciliador de conflitos, é ser ouvinte mais do que falante.

Ao longo da minha experiência em sala de aula, me deparei com diversas situações de desrespeito e ignorância oriundas de alunos que, por algum motivo íntimo, desconhecem o valor da educação, tanto no sentido de conhecimento quanto no sentido da cidadania exercida em seu mais alto valor.

No entanto, sempre procurei respirar fundo (como manda a regra) e não rebater, pois nenhum efeito surtiria devolver a brutalidade na mesma moeda.
E foi por agir dessa forma que conquistei mais do que a simpatia na relação aluno-professor. 

Ganhei o carinho e admiração de pessoas que hoje me encontram na rua e gritam “Proziiinha!”. Ainda que eu não lembre seus nomes ou de qual das quinze turmas fizeram parte, o rosto sempre é familiar e o sentimento de reconhecimento e gratidão por ter passado meu conhecimento é imenso. 

E a minha gratidão por permitir entrar em suas vidas é maior ainda.

Sou um ser humano repleto de defeitos, muitos insuperáveis. Porém tenho uma qualidade que falta em muitos seres ditos humanos, principalmente em certos colegas de profissão que fazem da sua posição hierárquica um degrau que para olhar os olhos com desprezo e pisar em seus sonhos.

Eu tenho respeito pelo próximo, pelos seus talentos, pelas suas dificuldades, pelas suas limitações, pelos seus dramas pessoais. Tive alunos de 16 a 59 anos, cada uma com uma bagagem de vida diferente, cada um com uma perspectiva de vida diferente. 

Como professora e como pessoa, jamais poderia limitar os sonhos de alguém ou desmerecer o esforço que fizeram para estar em sala de aula após um dia de trabalho, ou cuidar de pais doentes, ou morar muito longe e não ter o dinheiro da passagem, ou enfrentar preconceitos dentro de fora de casa, ou ter tantos problemas que a aula era a fuga no final do dia.

Ser professor é despir-se de qualquer tipo de discriminação e acreditar no potencial de quem muitas vezes nem acredita em si mesmo.

Finalmente, é ser humano e entender que recomeços são necessários toda vez que o caminho se tornar sem saída. Invente-a!

Para cada um que cruzou meu caminho, levando um pouco de mim e deixando um pouco de si, muito obrigada! Há sentimentos incomparáveis e o de dever cumprido é um dos melhores que existem!

Obrigada a todos os mestres da minha vida, aprendi com os melhores!
Queridos e eternos alunos, até a próxima!



Tô chegando, de mansinho, mas tô chegando!

OOOêê genteee!

Diante de uma página em branco do Word, há algumas semanas eu ensaio meu retorno ao mundo ~ blogueirístico.~

O real motivo do meu afastamento não é preciso ser revelado, então, faz de conta que fui abduzida por algum povo extraterrestre e que passei por experiências perturbadoras...hahaha

Humor sem graça à parte, estou tentando me reabilitar diante do trauma de ter nascido humana e viver neste planeta maluco, onde cada dia que passa, temos menos motivos para permanecermos vivos.

Desde que me afastei do blog, aconteceram muitas coisas por aí: gente que morreu (Tchau Chaves, Suassuna, Inezita, etc...); gente que nasceu (anota aí uns milhões!); manifestações de quem quer ver a ditadura e o ‘impitchimã’ da presidente (presidentA não existe!); crimes assustadores com direito a narração de Marcelo Rezende; chuva de meteoros na Rússia; Xuxa saiu da Globo; uns bilhões de vídeos de gatinhos e crianças fazendo fofices; enfim... Impossível listar tudo!

A verdade é que ta difícil acordar todos os dias e imaginar que o dia será melhor que o anterior, são tantas dificuldades, percalços, problemas, perdas, tragédias...Gzuiz!

No início de 2013 me vi obrigada a mudar minha vida novamente de lugar por circunstâncias alheias a minha vontade. Na época não consegui entender bem o porquê de tantos planos desfeitos. De repente voltei para um lugar do qual não gosto, para morar onde não queria, trabalhando com coisas que eu queria menos ainda. 

Mas, é a vida! Sabe aquela história ‘se a vida lhe der limões, faça uma limonada’? Pois é, foi isso que fiz. Depois de passar um bom tempo lamentando minha condição teoricamente fracassada, finalmente um dia passei a enxergar as coisas de outra forma e aprendi uma lição muito valiosa. Lição essa que eu sempre li nos livros de Augusto Cury, mas que dificilmente conseguimos aplicar na prática.

PARE DE SE VITIMAR! Você não é vítima, é autor da sua própria história!
Clichê...muito clichê. Eu sei! Tudo verdade, garanto.

Assim que parei de enxergar as coisas através do cabresto, tudo ficou mais claro, menos doloroso de encarar. Descobri uma nova profissão (tema para o próximo post), alimentei um novo sonho (idem) e abri o coração para novas perspectivas.

Viu?

Viver não é fácil, aliás, já nascemos chorando, não é mesmo? Shakespeare dizia:

“Choramos ao nascer por chegarmos a esse imenso cenário de dementes.”

Então chore, chore muito, chore bastante. Jogue a dor fora!
Você vai cumprir sua jornada caindo e levantando,
ganhando e perdendo,
sonhando e se frustrando,
nascendo e morrendo.
Mas, sorria! Faz parte.
O porquê ninguém sabe.
Apenas seguimos à espera
de que um dia acabe.



#TôDeVolta #Tôchegando