terça-feira, 16 de agosto de 2016

Zé Ninguém

Lá vem ele, com seu chinelo De dedo, calça surrada e Camisa encardida. Nos olhos, tristeza. No bolso, o vazio Nas mãos, as marcas, No estômago, um eco. Fome, fome. Sai cedo de casa, Antes do Sol se erguer, E queimar sua pele , incendiar sua alma. Deixa o rebento jejuando sem pecados Dormindo, sem sono e chorando sem lágrimas. Deixa a mulher revoltada, cansada e frustrada pelo que não consegue ter. Sua vida é inútil e sua inutilidade é ignorada. “Por quê?”, se pergunta. E o eco em seu abdômen responde: “Você não é ninguém, Nunca terá nada, desista.” Fugindo do conselho cruel Resolve decepcionar o seu destino. No que verte dos seus olhos Lava o rosto, os pés, a alma. Levanta a cabeça e o orgulho, Abre a boca pra dizer. Seu moço não me conhece, Não sabe de onde venho, Nem precisa saber. Sou honesto e honrado Só meio desafortunado, Mas com vontade de viver. Não lhe peço trocado, Não lhe peço comida, Apenas me diga O que eu posso fazer Pra merecer Seu respeito e E o simples direito De trabalhar E ver meu filho crescer.

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