segunda-feira, 4 de abril de 2016

Carrego-me!



Eu poderia estar chorando, lamentando minha falta de sorte, reclamando da sina triste da minha vida. 

E assim eu fiz.

Encharquei tantos travesseiros, preenchi tantas folha de papel com maus dizeres, aluguei os ouvidos dos poucos amigos que me restavam com as dores da minha alma.

É um direito meu sofrer sem um motivo e chorar sem um razão que você julgue válidos.
É impossível viver de sorrisos constantes, de euforia interminável.

Admiro quem consegue interpretar tão bem essa personagem, infelizmente meus dotes como atriz não chegam a tanto.

Permita-me libertar todos os nós da garganta, aqueles que me sufocaram e impediram que meu canto soasse por aí.

Esses mesmos nós aprisionaram um 'eu' que há muito tempo esqueci que existia.
Alguém que outrora via o mundo com singularidade, mas tentando enxergar o plural que vivia em cada indivíduo que cruzava meu caminho. 

De todos os lugares por onde enfrentei batalhas, com certeza a luta que travo contra o turbilhão de emoções que reina dentro de mim é a mais temerosa. Um território sem lei, sem regras e sem saída. Aqui, todos os dias, a cada minuto de vida, eu tento vencer a mim mesma.

E talvez um dia eu vença e o fardo se torne mais leve, porém a dor nas costas certamente não irá embora, servindo pra lembrar o quanto suportei as dores, ainda que muitas vezes fraquejasse. Nesse dia aprenderei que foi a necessidade de carregar o peso que me fez descobrir o que é ter força.




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