sábado, 14 de março de 2015

Professora, eu?


Uma verdade. Nunca quis ser professora.
Outra verdade. Descobri que sou, que sempre fui.



Transmitir conhecimento é um dom, uma vocação nata e impossível de extrair do ‘eu’.

Lembro-me que, ainda criança, brincava de escolinha com as bonecas sentadas na cadeira, olhando atentamente para a aula. Lembro-me também de ser a aluna nota 10 que minha mãe exigia que eu fosse. Ai de mim se isso não acontecesse. 

Lembro-me com carinho das colegas que eu tentava ajudar a vencer as dificuldades em sala de aula. 

Lembro-me de todas as minhas professoras: aquelas que se empenhavam em cumprir o papel de mestre e aquela que cumpriu o papel de megera nos primeiros anos da infância.

E foi lembrando disso que aos poucos fui descobrindo.

Graças às reviravoltas que a vida dá, acabei deixando a antiga profissão de lado para me dedicar ao ensino e, principalmente, ao aprendizado de uma nova.

Nessa recente (mas não breve) caminhada, passei e passo por dificuldades infindas, daquelas que nos fazem respirar fundo e perguntar a si mesmo: “Por que, meu Deus?” Talvez seja esse sentimento que habita os corações de tantos mestres. Então o próprio coração responde: “Porque sim!”

Porque ser mestre é uma condição divina, é ser combustível de sonhos, é ser multiplicador de ideias, é ser conciliador de conflitos, é ser ouvinte mais do que falante.

Ao longo da minha experiência em sala de aula, me deparei com diversas situações de desrespeito e ignorância oriundas de alunos que, por algum motivo íntimo, desconhecem o valor da educação, tanto no sentido de conhecimento quanto no sentido da cidadania exercida em seu mais alto valor.

No entanto, sempre procurei respirar fundo (como manda a regra) e não rebater, pois nenhum efeito surtiria devolver a brutalidade na mesma moeda.
E foi por agir dessa forma que conquistei mais do que a simpatia na relação aluno-professor. 

Ganhei o carinho e admiração de pessoas que hoje me encontram na rua e gritam “Proziiinha!”. Ainda que eu não lembre seus nomes ou de qual das quinze turmas fizeram parte, o rosto sempre é familiar e o sentimento de reconhecimento e gratidão por ter passado meu conhecimento é imenso. 

E a minha gratidão por permitir entrar em suas vidas é maior ainda.

Sou um ser humano repleto de defeitos, muitos insuperáveis. Porém tenho uma qualidade que falta em muitos seres ditos humanos, principalmente em certos colegas de profissão que fazem da sua posição hierárquica um degrau que para olhar os olhos com desprezo e pisar em seus sonhos.

Eu tenho respeito pelo próximo, pelos seus talentos, pelas suas dificuldades, pelas suas limitações, pelos seus dramas pessoais. Tive alunos de 16 a 59 anos, cada uma com uma bagagem de vida diferente, cada um com uma perspectiva de vida diferente. 

Como professora e como pessoa, jamais poderia limitar os sonhos de alguém ou desmerecer o esforço que fizeram para estar em sala de aula após um dia de trabalho, ou cuidar de pais doentes, ou morar muito longe e não ter o dinheiro da passagem, ou enfrentar preconceitos dentro de fora de casa, ou ter tantos problemas que a aula era a fuga no final do dia.

Ser professor é despir-se de qualquer tipo de discriminação e acreditar no potencial de quem muitas vezes nem acredita em si mesmo.

Finalmente, é ser humano e entender que recomeços são necessários toda vez que o caminho se tornar sem saída. Invente-a!

Para cada um que cruzou meu caminho, levando um pouco de mim e deixando um pouco de si, muito obrigada! Há sentimentos incomparáveis e o de dever cumprido é um dos melhores que existem!

Obrigada a todos os mestres da minha vida, aprendi com os melhores!
Queridos e eternos alunos, até a próxima!



Um comentário:

  1. Bravo! Parabéns pela sensibilidade, linda pró. Beijos e sucesso!

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